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Sangue LEONINO

quarta-feira, abril 08, 2026

Sonhos são objetivos nunca cumpridos

Há momentos em que um clube tem de escolher entre o impulso da fantasia e a disciplina da racionalidade. E, para mim, esse é precisamente um desses momentos. 
Sonhar em grande faz parte do futebol e da identidade emocional de qualquer adepto. Ninguém nega o fascínio de uma grande noite europeia, o simbolismo de discutir uma eliminatória com um adversário de outro patamar competitivo, ou até a tentação de imaginar um percurso improvável até fases muito adiantadas da Champions. 

Tudo isso é sedutor. Mas uma coisa é reconhecer o poder do sonho; outra, bem diferente, é permitir que esse sonho se sobreponha ao que é estruturalmente mais importante, mais realista e mais decisivo para o crescimento do clube.  

Eu não admito hipotecar uma possibilidade concreta de sermos campeões por causa de um cenário remoto, por mais emocionante que seja, de um eventual apuramento para as meias-finais da Liga dos Campeões. Isso, para mim, seria trocar racionalidade por fantasia. E não é assim que se cresce. 

Cresce-se quando se sabe distinguir o que é prioritário do que é acessório, o que é estratégico do que é emocional, o que é difícil mas alcançável do que é apenas sedutor porque parece épico. A minha visão é simples: acredito em objetivos ambiciosos, mas sempre sustentados numa lógica progressiva. Não acredito em voluntarismos, nem em decisões tomadas ao sabor da euforia do momento. O Sporting precisa de consolidar etapas, não de as saltar. E, nesta época, o grande objetivo do Sporting tem de ser, sem margem para dúvidas, o campeonato. 

Na Europa, a equipa já deu sinais muito positivos, já mostrou evolução, já deu um passo em frente. Isso é meritório e deve ser valorizado. Mas precisamente porque esse progresso europeu já existe, não faz sentido agora transformar uma oportunidade concreta de título interno num dano colateral de uma aventura de probabilidade reduzida. 

Ser campeão nacional não é apenas uma questão simbólica ou emocional. Tem consequências práticas, profundas e estruturantes. 

Em primeiro lugar, garante a presença na Champions da próxima época, o que representa estabilidade competitiva e financeira. 

Em segundo, oferece previsibilidade de receitas, algo essencial para um clube que quer crescer de forma sustentada. 

Em terceiro, permite preparar a época seguinte com outra base, outra confiança e outro poder de decisão. 

E, em quarto lugar, reforça a atratividade do projeto para potenciais reforços, algo especialmente relevante num cenário em que o Sporting poderá perder jogadores importantes como Hjulmand e Morita. 

Quem quiser substituir peças dessas tem de ter acesso às melhores soluções do mercado. E para isso contam o contexto desportivo, a solidez financeira e a capacidade de apresentar um projeto credível e vencedor. 

Além disso, conquistar o campeonato não beneficia apenas o Sporting em si mesmo; também altera o equilíbrio competitivo em Portugal. Desde logo, porque desequilibra diretamente um rival, deixando-o fora da Champions, e coloca outro numa posição de instabilidade, provavelmente obrigado a disputar a pré-eliminatória. Ou seja, ser campeão não é apenas ganhar; é também condicionar o contexto em que os adversários entram na época seguinte. E isso faz parte da inteligência competitiva de um clube grande. 

Por tudo isto, para mim, não há grande hesitação possível: o jogo prioritário da próxima semana é o Sporting-Benfica, não o Arsenal-Sporting. É esse o jogo que deve ordenar a gestão do esforço, das escolhas e da utilização dos jogadores. 

O treinador tem de tomar decisões em função desta hierarquia de prioridades. Isso não significa desistir da Europa, nem entrar derrotado em Londres. Significa apenas perceber que há competições e momentos em que a racionalidade tem de prevalecer sobre o entusiasmo.  
Querer crescer, querer ser maior, querer elevar a exigência europeia do clube, tudo isso faz sentido. Mas esse crescimento não pode ser confundido com fussanguice, nem com uma certa mania da grandeza que tantas vezes leva as instituições a perderem o pé. O Sporting tem de ambicionar muito, sim, mas tem de o fazer com lucidez. 
Hipotecar um objetivo central, concreto e alcançável em nome da excitação de uma noite europeia não entra, de todo, na minha forma de olhar para a vida, para os negócios ou para o caminho que o Sporting deve seguir. E há ainda uma última nota de realismo que me parece indispensável. Diz-se: “mas nós somos o Sporting !!! .. “ ok ! Mas do outro lado está o Arsenal .. Certo ? Se se passasse, se calhar viria um Barcelona. 

E mais à frente, talvez um Bayern. Ou seja, convém não perder o sentido das proporções. A questão não é faltar ambição; é perceber o que é, de facto, mais importante e mais alcançável neste momento da vida do clube. 

E todos sabemos como acabam os voos construídos mais com deslumbramento do que com prudência … As nossas asas europeias ainda são de cera…

Mário Rui Oliveira 
    Sangue LEONINO


4 comentários:

  • At 8/4/26 14:36, Anonymous Anónimo said…

    Sportinguistas é hora de união e vamos acreditar em mais uma remontada histórica

     
  • At 8/4/26 14:38, Anonymous Anónimo said…

    Concordo. Primeiro temos que dominar em Portugal, depois pensar na Europa.

     
  • At 8/4/26 14:52, Anonymous Anónimo said…

    “Ser campeão nacional não é apenas uma questão simbólica ou emocional. Tem consequências práticas, profundas e estruturantes.”

    Tens toda a razão, é isso mesmo, primeiro sermos campeões depois pensar noutras ambições!

     
  • At 8/4/26 19:40, Anonymous Anónimo said…

    Eu quero é ser tricampeão e ir a londres fazer um milagre!!!

     

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