"O Mundo sabe que pelo teu amor, eu sou doente / Farei o meu melhor para te ver sempre na frente / Irei onde o coração me levar / E sem receio... farei...o que puder pelo meu Sporting" - osangueleonino.blogspot.com -

Sangue LEONINO

terça-feira, abril 06, 2010

E 2010-2011 ainda tão longe... parte 1

Tenho evitado fazer grandes comentários relacionados com o final desta temporada e a preparação do início da próxima, nomeadamente os ligados à política de saídas/entradas no plantel e, claro, na questão do treinador. Além da falta de tempo tal deveu-se em grande parte à existência de demasiada poeira (levantada por jornalistas, comentadores, bloggers e - provavelmente - também do interior do clube). Agora, que alguma da mesma parece assentar, deixo de forma resumida a minha opinião sobre aqueles que me parecem ser os pontos essenciais relacionados com este assunto, ao longo dos próximos dias.

Final de temporada e Carlos Carvalhal:

Para falar sobre ambos, recupero o que tinha "pedido" ao ainda treinador leonino aquando da sua aquisição.

"Passado o impacto inicial e tentando pensar no que o futuro próximo nos traz, gostaria de dizer o que espero de Carlos Carvalhal, até ao final da temporada, até porque só cumprindo com aquilo que enunciarei de seguida, considero a hipótese de permanecer como técnico principal do Sporting Clube de Portugal para 2010-2011.

Antes de mais, e já o li em alguns comentários, penso ser uma utopia (como seria com qualquer outro treinador) pedir-lhe ou exigir-lhe o título nacional desta temporada. O atraso, tanto em termos de pontos como de qualidade futebolística e anímico, são demasiados para se enveredar por esse tipo de pedidos.

Peço-lhe antes que:

- coloque a equipa a jogar num sistema táctico mais adequado às características dos jogadores que compõem o plantel;
- dentro dessa alteração o futebol evolua para níveis bem mais elevados, tanto em termos de resultados como, se calhar tão ou mais importante, em termos exibicionais;
- reestabelecer os níveis de confiança dos jogadores e, consequentemente, dos adeptos e sócios, fazendo cair por terra os seguidores da teoria espatafúrdia de Oliveira e Costa. Com isso rentabilizar/recuperar igualmente o valor de mercado dos jogadores;
- colocar a equipa no melhor lugar possível no campeonato, sendo esse sempre um lugar europeu (4 primeiros);
- lutar condignamente pelas 3 competições em que podemos lutar em pé de igualdade com os demais concorrentes (UEFA, Taça de Portugal e Taça da Liga), tentando chegar o mais longe na 1ª e ganhar as outras 2."

Ou seja, analisando a 5 jornadas do fim e partindo do princípio que seguramos o 4º lugar no campeonato, verifico que Carvalhal conseguiu cumprir 4 das 5 alíneas, falhando rotundamente na última com eliminações bem pesadas frente aos nossos 2 maiores rivais.
Aliás, a ideia com que fiquei de Carvalhal é de que se trata de um treinador com boas ideias, sério e competente, capaz de colocar uma equipa a jogar futebol de qualidade mas com algumas dificuldades em pensar em "grande", embora admita que essa percepção possa ser influenciada por ter um contrato de muito curta duração e pelas convulsões internas que aconteceram já consigo no clube (nomeadamente a saída de Sá Pinto). De qualquer forma, fiquei com a sensação de que se lhe fosse dada a possibilidade de começar e preparar a próxima temporada, iríamos assistir a um futebol muito semelhante ao do tempo de Peseiro, com jogos de elevada qualidade futebolística e bons resultados e outros onde a equipa parece desligada e pouco confiante. Duvido que desse para lutar por um campeonato em que os outros candidatos perdessem poucos pontos, mas numa época mais atípica como foi a de 2004-2005 (precisamente com Peseiro), talvez desse para lutar de igual para igual com ambos. No entanto, e tendo em conta que é praticamente certo que os nossos habituais rivais se vão apresentar fortes no próximo ano (uns porque têm um excelente plantel e o elan da provável vitória este ano, e os outros porque raramente ficam 2 anos seguidos sem ser campeões). Ambos irão certamente usar de todas as cartas - dentro e fora dos relvados - para nos fazerem a vida negra.
Sinceramente não me parece que Carlos Carvalhal, apesar do respeito que nos merece, fosse treinador para lidar com este desafio. De qualquer forma não podia deixar de assinalar a melhoria qualitativa a que assistimos em alguns jogos e o retomar da vontade em assistir aos jogos do Sporting por parte de alguns sócios e adeptos divorciados da mesma.

Penso até que, raras excepções, a grande maioria dos sportinguistas agradece a Carvalhal ter tomado as rédeas de um barco muito fragilizado e, apesar da inconstância de resultados e exibições, nos ter mostrado algum futebol e que o plantel, devidamente corrigido, não é tão fraco como alguns, e muitos com responsabilidades, o pintaram. E apesar de lhe agradecer acredito que também ele ficou a ganhar muito com a curta estadia em Alvalade. Além do upgrade de CV, há que ver que era um treinador praticamente enterrado na opinião pública após a saída do Marítimo, tendo agora algum capital de confiança que acredito que o poderá colocar, se não num dos grandes de Portugal, num clube de 2ª linha, num futuro próximo. Da minha parte, como o fiz com Paulo Bento, que tenha muito sucesso e boa sorte à excepção dos confrontos com o nosso Sporting.

Nelson Santos