"O Mundo sabe que pelo teu amor, eu sou doente / Farei o meu melhor para te ver sempre na frente / Irei onde o coração me levar / E sem receio... farei...o que puder pelo meu Sporting" - osangueleonino.blogspot.com -

Sangue LEONINO

domingo, janeiro 23, 2011

O Sporting será aquilo que nós quisermos

Os tempos são uma vez mais conturbados – algo que parece ser já crónico - a emoção continua teimosamente a sobrepôr-se exagerada e perigosamente à razão (Bettencourt deu há poucos dias um péssimo exemplo disso mesmo) e como há muito constato, e tenho escrito, ano após ano, época futebolística após época futebolística, voltamos a assistir no Sporting a discussões da mais variada natureza: modelos de financiamento, de gestão, reestruturações de dívida, treinadores, jogadores, presidentes… quase sempre inexplicavelmente temperadas com ignóbeis insultos entre sportinguistas.

Há muito alerto que há décadas se ignora ou desleixa procurar dentro da nossa casa um aparentemente inatingível consenso que nos leve ao lugar de topo que de pleno direito já nos pertenceu no desporto português – e mais concretamente, no futebol – mas entretanto, época após época, o FC Porto vai cimentando a sua liderança nacional: já nos ultrapassou em número de campeonatos conquistados, já foi duas vezes campeão europeu, vencedor da taça UEFA, detém uma invejável cultura de exigência, de ambição e de vitória, numa casa onde ninguém ousa pôr o pé em ramo verde. E nós? Nós continuamos a procurar um caminho. Aquele caminho. O tal que pelos vistos não conseguimos vislumbrar, distraídos que andamos com disputas e querelas entre facções.

É já angustiante e aflitivo testemunhar e assistir a uma constante tradição tacanha e serôdia de se discutir nomes, vias, culturas, enquanto o fosso face ao rival do norte se vai alargando, intervalado por uns títulos que de vez em quando vão sendo ganhos pelo vizinho da segunda circular.

Para quando o murro na mesa que vise finalmente colocar-se o supremo interesse da nossa instituição acima de querelas pessoais, de vaidades egocêntricas e de disputas entre ‘quintinhas’? Estou farto de condes, viscondes, traidores, notáveis, punhais espetados nas costas, ziguezagues, conspirações…

Mais do que nunca, estamos num momento decisivo da vida do nosso clube em que talvez tenha definitivamente chegado a altura de se cimentar um pacto de regime no qual a prioridade seja a suprema agregação da vontade das várias tendências existentes no seio da família leonina.
Ao próximo presidente peço que seja uma figura aglutinadora, um verdadeiro líder e que não descure aquilo que tantos têm descurado, e com consequências tão nefastas: o futebol.

Há muito escrevo que como coração do nosso clube, o futebol merecia outro profissionalismo, outra abordagem, outra ambição, assentes numa noção clara para onde se quer ir e a definição de uma política desportiva sólida que traçasse o caminho até essa meta. Maniche renova automaticamente? Empresta-se Adrien à Académica que nos havia recusado Villas-Boas? Emperra-se a renovação de Carriço? Exemplos de estranhos ziguezagues.

Enquanto não se perceber que é o futebol que mexe verdadeiramente com a paixão dos adeptos, que é o bom futebol e que são os sucessos desportivos que levam as pessoas ao estádio, que as fazem comprar bilhetes de época e merchandising, que atraem os jovens para o clube, que os fazem querer ser sportinguistas, em suma tudo aquilo que faz valorizar o clube e a publicidade ao seu redor, elevando também o seu estatuto… continuaremos num caminho penoso de comodismo e de acomodamento.

De uma vez por todas tem que se entender que o futebol não pode ser subalternizado por serviços de dívida e por estrangulamentos bancários. Ao próximo presidente peço que tenha arte e engenho, que saiba ser criativo para se libertar desse ‘espartilho’ e desse alibi, porque o futebol não pode ser uma consequência, mas sim a causa, a verdadeira causa do clube.

Não investir em prospecção competente, numa formação e numa academia que ainda são de excelência, em corpos técnicos do melhor que há no mercado, continuaremos na senda da mediocridade e do ‘quanto baste’, ambicionando apenas segundos lugares, optando por treinadores de segunda e gastando dinheiro em contratações falhadas que pouco ou nada nos têm dado, tanto desportiva como financeiramente (Pongolle, Koke, Purovic, Tiuí, Marion Had, Nalitsis, Motta, Alecsandro, Ramires, Torsiglieri, Kmet, Grimi, Kutuzov, Deivid, Pedro Silva… e por ai fora).

Não aplaudo, nunca aplaudi nem aplaudirei presidentes sem qualquer sensibilidade para o futebol (como Soares Franco), treinadores que dizem que quando querem ver um espectáculo vão ao teatro, ou outros ‘opinadeiros’ que se contentam com segundos lugares. O Sporting é grande, demasiado grande para pensar tão pequeno!

Dia 26 de Março de 2011 ficará indelevelmente na História do Sporting Clube de Portugal como um momento altamente marcante, do qual o futuro sentenciará se foi o tão ansiado ponto de ruptura e de viragem, ou a consolidação do caminho há muito trilhado rumo ao abismo.

O fogo do leão só se apagará se nós quisermos!



Nuno M. Almeida