"O Mundo sabe que pelo teu amor, eu sou doente / Farei o meu melhor para te ver sempre na frente / Irei onde o coração me levar / E sem receio... farei...o que puder pelo meu Sporting" - osangueleonino.blogspot.com -

Sangue LEONINO

quarta-feira, março 30, 2011

André Santos e os Outros


Parabéns ao mais recente Internacional A a sair da nossa Academia. Num ano muito dificil, no meio de uma equipa perdida, foi um miúdo de 22 anos acabados de fazer, que se revelou talvez o jogador mais regular da equipa demonstrando que nem apenas de Ronaldos e Quaresmas se faz a nossa formação e que muitos outros, desde que acompanhados e integrados no futebol profissional de forma correcta podem-nos ser muito úteis.

Quando me refiro aos outros, gostaria de falar de muitos outros miúdos que estão na calha, mas também outros que se perderam, ou que os perdemos.

Agora que se anuncia a intenção de apostar numa equipa B ou Satélite, que se prevê uma avaliação dos jogadores contratualizados e a criação de um gabinete de apoio à formação e sua integração, gostaria aqui de levantar a discussão de como devem ser aproveitados os jogadores que anualmente criamos na Academia.

Referia acima que nem todos podem ser Ronaldos ou Quaresmas ou Figos, pois são casos que surgem aleatoriamente de tempos a tempos. Mas muitos podem ser casos como o André Santos. E estes poderão ser uma base de plantel muito interessante, criando uma massa critica de qualidade que nos poderá permitir assim poder contratar fora apenas jogadores que façam realmente a diferença.

O André teve uma integração nos futebol sénior que na minha opinião deverá ser o tipo de integração tipo, para aqueles que não são fenómenos. Começar por uma equipa pequena, de 2ª divisão, com empréstimos de meia época, para começarem a adaptar-se ao futebol sénior, devendo o clube garantir que o treinador em causa será alguém com o minimo de qualidade para os fazer crescer. A cada semestre deve ser tomada uma decisão acerca do que fazer com o jogador. Mantê-lo no clube em que está, pois está a jogar, promovê-lo a uma divisão superior, pois a sua evolução assim o exige, ou mudá-lo de clube, caso não venha jogando. A equipa B permite uma base de partida, mas não creio que cumpra todo o processo de maturação de um jovem jogador, pois é importante poderem evoluir num clube de 1ª divisão

Esta perspectiva permite uma integração faseada, sem criar uma expectativa demasiado elevada que um jovem pode não conseguir acompanhar, mas ao mesmo tempo criando bases de apoio em termos de maturidade que apenas os erros em campo e a experiência adquirida pode transmitir.

Olhando para um passado recente, creio que podemos usar como bons exemplos este de André Santos e de Daniel Carriço. Acabada a sua formação, ambos foram colocados fora do Sporting. Ambos cresceram, o Daniel mais rapidamente chegou ao plantel principal, não sem antes de estado 6 meses em Olhão e 6 meses no Chipre, onde jogou com regularidade. Olhando ao passado tivemos um exemplo parecido com este em Beto, que chegou a andar pelo União de Lamas.  Assistimos actualmente a processos semelhantes, que creio se podem vir a revelar de vital importância, como sejam os casos de Renato Neto, Owusu e Nuno Reis no Cercle de Brugges ou do Wilson Eduardo e André Marques em Aveiro.

Depois temos o contra-ponto. Pereirinha e Adrien. Dois jogadores com tudo para poderem ser excelentes jogadores mas que foram obrigados a assumir demasiado cedo responsabilidades para as quais não estavam preparados. O seu crescimento foi travado em nome das necessidades imediatas, com prejuízo deles em primeiro lugar e do clube em segundo lugar. Veremos se pelo menos Adrien ainda pode ter sido ajudado em tempo útil.

Em resumo, creio que o Sporting tem a obrigação de criar condições de crescimento aos seus jovens jogadores. Definir-lhes um plano de carreira em função da sua evolução, acompanhar a tempo inteiro esta mesma evolução e a cada ano avaliar os que continuam a evoluir ( mesmo que apenas venham a ser úteis ao clube aos 23 anos ... ) e os que estagnaram na sua evolução. Mas que esta estagnação se dê pela menor capacidade dos mesmos em poderem ser úteis ao clube e não pelo facto da sua integração no futebol senior não ter sido gerida de  forma correcta. Consta que poderá ser José Couceiro o responsável pela coordenação desta gestão de carreiras. Creio que é um passo essencial para criarmos mais valias internas, criar uma base de plantel sólida, que permita que os investimentos a serem feitos venham alavancar a qualidade e não preencher lugares vazios no plantel.


Mário Rui Oliveira