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Sangue LEONINO

quarta-feira, março 03, 2010

«Estamos a trabalhar em novas parcerias»



Com a devida vénia ao jornal Record:

R - Como encara as propostas aprovadas na assembleia da ECA?
José Eduardo Bettencourt (JEB) - De forma positiva. Houve uma preocupação grande da parte de todos os clubes pelo facto de o futebol ser um negócio que perde muito dinheiro, salvo algumas exceções. Houve o reconhecimento da dificuldade de orçamentar nesta atividade, pela volatilidade dos resultados e do acesso a algumas competições importantes, e foi estabelecido um compromisso forte que esta associação proponha à UEFA uma melhor regulamentação financeira e maior exigência para se atingirem resultados zero, pelo menos. Pretende-se que os clubes tenham um modelo sustentado.

R - Como vai ser possível?
JEB - Todos os clubes entenderam que, em vez de se utilizar a velha fórmula do teto salarial, o equilíbrio financeiro seria uma forma indireta de conseguir isso, fazendo-se um esforço no sentido de que as despesas sejam iguais às receitas. Assim, num plano gradual de implementação, a UEFA pode passar a monitorizar o que se passa a nível das próprias associações locais para que haja um aumento da responsabilidade dos clubes para que sejam equilibrados.

R - E se nem todos conseguirem?
JEB - Avançou-se no modelo mas admitiram-se exceções nas quais haverá a possibilidade de injeção de capital para compor esse défice.

R - De todos os assuntos em causa, algum deles deve preocupar excessivamente o Sporting?
JEB - Não. O Sporting está tão tranquilo ou intranquilo como qualquer outro clube. Há um reconhecimento que apesar do crescimento generalizado de receitas, fruto de várias pressões e da dificuldade em gerir este negócio, quase todos os clubes sofrem do mesmo problema: não dão dinheiro. Há uma tendência grande para a insustentabilidade dos clubes e essa preocupação ganhou maior peso depois da última crise financeira mundial, onde se nota claramente que há menos "apetite" para investir no futebol e que há muitos mundos que beneficiam. Fica em atividades a montante e a jusante.

R - O futebol gera fluxos financeiros que se perdem noutras áreas, é isso?
JEB - A apropriação desse dinheiro, sobretudo para quem investe e tem ativos e academias, infelizmente não é na sua totalidade feita pelos clubes. Depois há clubes que têm mais ou menos sucesso do que outros, fruto de modelos de maior ou menor risco. Nuns casos o risco compensou e deu bom resultado, noutros arriscou-se e perdeu-se. Há clubes que têm uma estratégia de desequilíbrio compensado com vendas, há clubes que não admitem qualquer risco e jogam no seu equilíbrio.

R - O modelo do Sporting é o equilíbrio com base na formação. Pode mudar?
JEB - Tem havido muita especulação a esse respeito e colocada na minha boca coisas que não disse. O que afirmo é que tem de ser um modelo com realismo que não pode ignorar algumas vantagens nossas, complementando-as com outras mais do domínio do futebol profissional. Há coisas em que o Sporting tem de trabalhar e está a fazê-lo, nomeadamente novas parcerias e outras áreas de "desintermediação", sobretudo com menor acesso a crédito bancário. O modelo do Sporting terá, no entanto, de ser sempre o da sustentabilidade.

R - Em que pé está a reestruturação financeira?
JEB - Como sabe, houve uma assembleia em que teve de ser tudo novamente analisado e proposto. Depois dessa discussão teve que se voltar aos parceiros para atualizar um conjunto de informação. Está pronta e apenas aguarda pela resposta dos parceiros que será a curto prazo positiva.

R - Perante o constante prejuízo, até que ponto aumenta a necessidade de vender jogadores?
JEB - O modelo que tenha algum défice, qualquer que ele seja, tem de admitir sempre uma venda, pois caso contrário não se equilibra. Esse tema pode ser politicamente mais bem tratado, mas na prática a venda é incontornável e faz parte do modelo de negócio.

R - Como analisa os últimos resultados da SAD?
JEB - São normais em consequência do não apuramento para a Liga dos Campeões, houve uma perda de 10 milhões face ao ano anterior, em parte compensada por 3 milhões de redução de custos.


Leonino